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Polêmica no Orkut

Imagem de um perfil do Orkut

Recentemente o site de relacionamentos e comunidades Orkut tem enfrentado uma série de processos por parte do Ministério Público brasileiro. Iremos discutir aqui quais as influências que estas ações podem causar no futuro das relações internacionais da área de tecnologia e quais as consequências para o usuário brasileiro do Orkut.

O Orkut é um sistema relativamente simples, que permite a criação rápida e fácil de mini-fóruns, conhecidos como "comunidades". Ele também permite a troca de mensagens privadas, recados públicos e depoimentos entre os usuários, além de funções mais banais, como enviar uma cantada ou adicionar um perfil aos favoritos.

Até aí tudo bem, o grande problema no orkut não é nem o sistema e nem as falhas (que ocorrem o tempo todo), mas sim as pessoas que o utilizam. Em sete meses de funcionamento, o orkut atingiu a marca de 1,000,000 (um milhão) de usuários . Em 9 meses, tinha 2,000,000. A marca é surpreendente, mas mais surpreendente que isso, é a quantidade de brasileiros que utilizam o sistema.

Dos 16 milhões de usuários cadastrados, 65.05% são brasileiros. Em segundo lugar ficam os EUA, com 13,48%.

O orkut sempre foi considerado pelos profissionais do marketing (principalmente "marketing de guerrilha" ) um forte nicho comercial, onde poderiam espalhar informações sobre as empresas, as marcas e os produtos de forma disfarçada, através da criação de comunidades e perfis, envio de mensagens e recados.

O cenário era bom, mas na metade de 2005 o orkut começou a caminhar para uma outra direção, diferente dos ideais iniciais de interligar uma rede de amigos através do mundo. Começou uma onde de perfis falsos e virus que agiam através de mensagens automáticas, além do clássico "roubo de perfil", onde através de keyloggers (veja mais neste artigo da área de suporte) hackers roubavam senhas de usuários e utilizavam seu perfil para difamar o usuário, entrando em comunidades bastante constrangedoras.

Depois começou a onda de criminalidade, utilizando o orkut como ferramenta. Casos de sequestro onde os bandidos utilizavam dados e fotos do orkut começaram a ser relatados. E agora o Ministério Público acusa o orkut de promover pedofilia através de seus serviços e exige a quebra de sigilo dos usuários para poder identificar e prender tais criminosos.

A discussão vai muito além da simples moral, a lei brasileira permite tal acesso, no entanto os servidores onde as informações estão guardadas estão nos EUA, onde a lei é diferente e o Google já ganhou alguns proceessos contra o Estado Norte Americano, sobre os mesmos temas.

Infelizmente o Ministério Público e os promotores responsáveis ainda não perceberam que o escritório brasileiro do Google não é responsável por seus produtos e exigem deles, não do escritório americano, a resolução do caso. Os papéis estão invertidos e o escritório brasileiro que tem funções estritamente comerciais não possue autoridade e nem responsabilidade para resolver esta questão

Enquanto isso os usuários se encontram em uma ciranda, com medo de seus dados (que deveriam ser restritos, pelo assinado nos Termos de Uso do serviço) serem liberados para os políticos brasileiros.

Os reflexos disso no futuro das relações exteriores referentes à tecnologia podem ser bastante cruéis, afinal as empresas pensarão duas vezes antes de implementar um serviço no Brasil ou liberar um software na web para uso dos internautas brasileiros.

Não é de hoje que as leis brasileiras colocam impecilhos nas relações exteriores, principalmente na área tecnológica, onde é difícil importar produtos e contratar serviços, assim como também exportar e ser contratado.

Estamos em época de eleição e escândalos como esse servem apenas para nos acordar para a realidade: temos que mudar o posicionamento do governo e dos ministérios quanto a tecnologia para que possamos crescer no cenário internacional e nos destacar como sempre merecemos.

Enquanto acontecerem processos como esse contra o orkut, não teremos moral e respeito lá fora e teremos que nos manter na pequena bolha brasileira, afastando investimentos internos e juntamente com eles nossas esperanças em sair da categoria de "países do terceiro mundo".

Por Douglas d'Aquino e Equipe IndicaQuem